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quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Golpe em Honduras.



Um pequeno país da América Central cuja capital poucos conhecem, Tegucigalpa, e que foi o berço de uma das mais incríveis civilizações desta parte do mundo: os maias, de repente virou notícia mundial. Uma história bastante conhecida ali se repete. Um golpe de estado alegado pela decisão do presidente Manuel Zelaya, membro do partido liberal, de fazer uma consulta popular sobre a possibilidade de uma Constituinte.
Apesar de os EUA terem pronunciado que são contrários ao Golpe, a secretária de Estado Hillary Clinton negou o corte das relações comerciais e o embaixador estadunidense segue no país, ao contrário de países como Brasil, Colômbia, Itália e outros que chamaram seus embaixadores de volta.
Os Interesses estadunidenses começam a ficar mais visíveis quando olhamos a balança comercial de Honduras: os EUA são o destino de 70% das exportações (café, bananas, camarões, lagostas, carne, zinco e madeira), ao passo que 55% das importações vêm do mesmo país, destacando máquinas e equipamentos para transporte, matérias primas para indústria e produtos químicos. Outro dado importante pode-se perceber na localização geográfica de Honduras que está no centro da América Central. O domínio de seu território é portanto fundamental, fato que pode ser observado na década de 80 quando os EUA transformaram Honduras numa base militar. E hoje em dia, quando os EUA estão perdendo influência na América do Sul, é fundamental reter o controle sobre o restante da América Latina.
O golpe ocorre justo no momento em que Zelaya se aproximava da Alternativa Bolivariana para as Américas. Seguindo o exemplo dos governos sul-americanos que mudaram suas Constituições, o presidente deposto queria incluir nas eleições gerais de 29 de novembro uma consulta para aprovar a convocação de uma Assembléia Constituinte.
O golpe de Estado em Honduras é mais um capítulo na disputa pela hegemonia na região. De um lado, o bloco de esquerda encabeçado por Hugo Chávez. De outro, o velho esquema capitalista patrocinado pelos ianques. A posição de Zelaya é delicada, pois seus inimigos controlam os outros dois poderes da República (Judiciário e Legislativo), além das Forças Armadas. E contam com o apoio financeiro dos EUA. A seu lado estão os movimentos sociais, que mostraram boa capacidade de mobilização, e a comunidade internacional – que no geral não parece muito disposta a converter os discursos em ações.

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